top of page

A romantização do marketing digital e do empreendedorismo

É fato que o marketing digital vem expandindo no Brasil e no mundo. Com as revoluções tecnológicas e a pandemia, a qual obrigou a população a migrar-se para o universo virtual, as empresas estão cada vez mais investindo em estratégias de comunicação a fim de fidelizarem clientes e atrair novos consumidores. De acordo com dados da NTT Data e o MIT Technology Review, em 2021, 70% das empresas aumentaram seus investimentos em marketing digital na América Latina. Além disso, conforme aponta um relatório da Cenp-Meios, o valor investido totalizou quase R$20 bilhões – um número extremamente significativo. Ao passo que o marketing vem se desenvolvendo, a romantização do mesmo segue alimentando falsas expectativas dos indivíduos.


Você provavelmente já deve ter se deparado com publicações como: “quer saber como ganhar dinheiro trabalhando em casa, utilizando somente o seu celular”? Ou então relatos bem-sucedidos de empreendedores que largaram tudo e começaram do 0. São propostas tentadoras, mas que escondem a verdade por traz dessa facilidade em enriquecer. Calma, não estou de forma alguma dizendo que o marketing digital e o empreendedorismo não trazem retornos financeiros. Muito pelo contrário. Com as estratégicas corretas e muito estudo, você é capaz de se destacar no ramo. Mas pense bem, se fosse tão fácil assim, não era para mais de 70 milhões de brasileiros viverem na pobreza.



Exemplo de narrativa sedutora do marketing digital. Imagem retirada de um curso online


Essa nova configuração social, marcada pelas tecnologias, home office e instabilidade financeira, atrelada à precarização do trabalho, faz com que os empregados busquem soluções mais rápidas e eficazes de sobreviverem. É nesse cenário que o empreendedorismo aparece como a solução dos problemas. As narrativas de sucesso, muitas vezes mencionadas por empresários bem-sucedidos e coachs, idealizam um crescimento profissional rápido e afirmam que a prosperidade depende somente de você. É nesse sentido que, infelizes com as situações precárias no trabalho, muitos largam seus empregos e investem em seus próprios negócios.


Segundo dados do Ministério da Economia, em 2022, mais de 3.500.000 empresas foram abertas. Em contrapartida, mais de 1.500.000 fecharam. Embora o número de empresas que fecharam seja menor que o número das que abriram, ainda assim, representa uma quantidade expressiva. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou no 1º trimestre de 2023, quase 9 milhões e meio de desempregados. Em março, o Mapa de Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil apontou que mais de 70 milhões de brasileiros estão endividados.


Portanto, é evidente que o marketing digital, assim como o empreendedorismo, não deve ser romantizado. Deve-se ter em mente que a narrativa de sucesso é válida enquanto ferramenta de incentivo, e ambos os segmentos podem render bons frutos, desde que as técnicas corretas sejam empregadas. O marketing digital vai muito além do “quer saber como ficar rico (a) com a internet? Compre o curso, o qual eu te ensino”. Ele abrange técnicas de persuasão e estratégicas que, se utilizadas corretamente, fidelizam clientes. Se você pensa em entrar para o ramo, não desanime. Mas saiba que não é tão fácil como a internet aparenta ser. E fuja daqueles que te oferecem solução rápida e enriquecedora em tão pouco tempo.


Foto Destaque: Reprodução/Valor Econômico/DINO


Comments


IMG_4417.jpg

Olá, que bom ver você por aqui!

Jornalista, 23 anos

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • Pinterest
bottom of page