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Absorvendo o Tabu - resenha

“É um período de aula?”, “é sangue ruim que sai da gente”, “é um tipo de doença, não?” são frases que você ouvirá no documentário “Absorvendo o Tabu”, disponível na Netflix. O curta-metragem, de 26 minutos e vencedor de Óscar, discute um tema que persiste em ser um tabu, principalmente na Índia: a menstruação.

Absorvendo o Tabu se desenrola em uma comunidade rural na Índia, onde a menstruação é abordada como uma doença. Apesar de ser um processo natural do corpo feminino, alguns indivíduos lidam com o assunto de forma preconceituosa. Chega a ser perturbador ver o modo como as mulheres se sentem constrangidas ao falarem sobre isso.



Na Índia, a saúde das mulheres é extremamente negligenciada. De acordo com um fabricante de absorventes, cerca de 75% das indianas compram o produto embalado em jornal devido a vergonha. Aproximadamente 3 milhões deixam os estudos de lado para permanecerem em casa durante este período menstrual. Além disso, elas são proibidas de frequentarem cultos e lugares religiosos, pois são consideradas “sujas” no decorrer do ciclo.

O documentário retrata ainda as dificuldades destas mulheres, as quais não possuem acesso ao absorvente (apenas 10% das indianas usufruem o produto). O machismo é fator contribuinte para que elas contraiam uma grave infecção, visto que, muitas utilizam panos sujos, folhas e outros materiais anti-higiênicos para impedirem que o sangue vaze e eles vejam.

Pensando nisso, uma máquina que produz absorventes biodegradáveis foi implementada na comunidade, possibilitando que as mulheres, além de conquistarem uma certa liberdade financeira, tornassem o produto acessível à todas.

Absorvendo o Tabu, ao mesmo tempo que é assustador e chocante, é extremamente necessário. Ele evidencia a importância da educação sexual nas escolas, uma vez que há muita ignorância envolta do tema “menstruação”. Um documentário leve, fluído e objetivo. Porém, a problemática poderia ter sido desenvolvida de forma mais profunda, trazendo questões de saúde pública, debatendo comportamentos machistas e contextualizando a realidade vivida por muitas. Apesar disso, vale a pena ser visto, pois nos leva a uma reflexão sobre a relevância da temática.

Confira abaixo o documentário na íntegra:


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Olá, que bom ver você por aqui!

Jornalista, 23 anos

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