top of page

Columbine - resenha




ATENÇÃO: ANTES DE LER ESTA RESENHA, ESTEJA CIENTE DE QUE COLUMBINE É UM LIVRO DETALHISTA SOBRE O MASSACRE. PORTANTO, SE VOCÊ É SENSÍVEL, E ESTE ASSUNTO, DE ALGUM MODO, LHE CAUSA GATILHOS, NÃO É RECOMENDADO PARA VOCÊ! O LIVRO NÃO APRESENTA IMAGENS DAS VÍTIMAS, PORÉM, OS RELATOS SÃO TÃO PRECISOS, QUE PODEM CAUSAR INCÔMODO!







Columbine é um livro-reportagem escrito por Dave Cullen, o qual foi um dos primeiros jornalistas a chegar no local do massacre. Ao analisar, por mais de 9 anos, 25 mil páginas de evidências policiais, centenas de entrevistas, horas de vídeo e áudio, o escritor nos apresenta uma obra extremamente detalhista, real e fiel aos fatos. Por isto, não é recomendada para pessoas que se impressionam facilmente.

No dia 20 de abril de 1999, os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold abriram fogo contra seus colegas e professores na Columbine High School. O ataque envolveu uso de bombas, tanques de propano, dispositivos explosivos e carros-bomba. 13 vítimas morreram e 21 ficaram feridas, no entanto, estima-se que o número de baixas seria maior caso o plano arquitetado minuciosamente pelos garotos não fosse por água abaixo.


Os assassinos tinham em mente, matar o maior número de pessoas possível. Para isso, elaboraram friamente um plano, em que o ataque se concentraria no refeitório. Os sobreviventes que tentassem fugir, seriam surpreendidos por eles ao lado de fora. Além disso, os carros-bomba foram posicionados a fim de abater as vítimas que estivessem sendo socorridas por bombeiros e policiais.



Columbine é considerado um dos primeiros e piores massacres escolares. E o mais doentio, é que ambos se tornaram heróis para muitos estudantes, vítimas de bullying. Mas o que pouco se sabe, é que na realidade, nenhum deles sofreu nenhum tipo de violência. E a obra de Cullen surge para desmistificar tudo o que a mídia propagou e propaga até então. Inclusive, o próprio autor se inclui como responsável por consolidar este estereótipo de que os assassinos sofriam agressões físicas e verbais.


"Me assombra o quanto estivemos errados a respeito de Columbine, e como essa falsa narrativa por anos afetou a percepção de jovens alienados e armados. Cullen está corrigindo os registros e trazendo a nossa sociedade para mais perto da verdade" - Caitlin Doughty

Fato é que, a cobertura midiática cometeu muitos erros. Todos os equívocos e a transmissão em tempo real da ação, culminaram na idolatria dos assassinos. Todavia, ao esmiuçar relatórios médicos e examinar o diário dos garotos, conclui-se que Eric Harris possuía sintomas claros de psicopatia. Todas as análises são muito bem colocadas por Cullen, o que nos dá uma boa noção de como funcionava sua cabeça diabólica.


Frio, narcisista, manipulador e calculista, todo o plano estava sendo elaborado há mais de um ano, com anotações sendo feitas em seu blog, seu diário e em fitas gravadas. O que é bizarro, visto que a ação poderia ter sido evitada. A polícia tinha conhecimento das malícias dos dois devido à atritos com um colega, possuía um relatório e documentos do blog de Eric, onde ele afirmava com todas as letras que gostaria de acabar com a espécie humana, e todos estes arquivos – misteriosamente – sumiram.



Mapa escolar e Diário de Eric

Quando Cullen decide anexar imagens dos diários dos assassinos, é para que tenhamos uma perspectiva de suas personalidades. Eric, como mencionado acima, era psicopata. Não sentia remorso e era capaz de enganar todos. Inclusive, foi o que fez com a imprensa, ao justificar seus atos em uma fita gravada antes do atentado. Dylan, ao contrário dele, falava sobre o amor em seus escritos. Amores não correspondidos, corações em todas as páginas, mas buscava em Eric, algum tipo de aprovação e aceitação.


Afinal, o que dizer de Columbine? Talvez um dos livros mais difíceis de digerir que eu já li até o momento. E digo isto devido a minuciosidade dos fatos. Tudo é contado tão detalhadamente, que somos transportados ao local e ao dia do massacre. A sensação de que estamos vivenciando o atentado é angustiante. Além disso, Cullen traz os antecedentes do episódio, as vivências dos sobreviventes pós-massacre e muitos relatos que nos deixam perplexos.


"Infalivelmente nítido, objetivo e convincente" - GQ

Também, a Darkside está de parabéns por esta edição, cuja capa é dura e minimalista, o que dá um toque de delicadeza em um livro nada delicado. Só não recebe o título de “livro perfeito” devido aos graves erros de digitação (o que para mim, não atrapalhou em nada a leitura, visto que eu estava mergulhada na história, porém, estão lá, e não são imperceptíveis).


É uma leitura completa, escrita por um jornalista que está empenhado, verdadeiramente, em contar uma história, cujo desfecho machuca a alma de todos os envolvidos. Sua sensibilidade em trazer a história dos sobreviventes, das vítimas, de suas famílias, faz com que a obra seja singular e inigualável.

Comments


IMG_4417.jpg

Olá, que bom ver você por aqui!

Jornalista, 23 anos

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • Pinterest
bottom of page