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O Paraíso e a Serpente - resenha

O Paraíso e a Serpente chegou ao catálogo da Netflix em abril para compor as séries criminais. Baseados em fatos reais, os diretores Hans Herbots e Tom Shankland mostraram, nos oito episódios, a crueldade do assassino em série Charles Sobhraj e a sua brilhante capacidade de manipulação e falsificação de documentos.

Sobhraj, interpretado por Tahar Rahim, se apresentava como um vendedor de pedras preciosas. Suas vítimas eram em sua maioria, hippies, os quais viajavam ao redor do mundo em busca de conexão com a natureza e novas aventuras. Charles, com sua personalidade narcisista e fria, cativava os viajantes, lhes concedendo alguns benefícios como moradia e alimento. Para roubá-los, os jovens eram drogados, envenenados e posteriormente, descartados como meros objetos.


Como sua habilidade em falsificar documentos era impressionante, escapava ileso de seus crimes e despistava as autoridades, as quais demoraram anos para o prenderem. Não fosse o diplomata holandês Herman Knippenberg e sua insistência em fazer justiça às vítimas, Sobhraj talvez nunca fosse capturado.


Dentre os méritos da produção, o maior destaque é da ordem não cronológica da narrativa. Apesar dessas “idas e vindas” serem cansativas, elas são bem executadas, visto que não dificultam em nada a compreensão dos fatos por parte do espectador. Essa técnica tinha tudo para ser um desastre devido aos longos saltos temporais, todavia, ela engradece a obra pois graças a ela, os detalhes são bem explorados.


Em relação a estética, os anos 70 foram muito bem representados. A arquitetura das cidades, as paisagens, os vídeos antigos e com pouca qualidade que as vezes eram inseridos para contextualizar, as vestimentas e os penteados são elementos que nos permitem identificar a época e o local (Ásia) em que os crimes ocorreram.


Apesar de evidenciar toda a crueldade por trás de Charles, a série é capaz de humanizar toda a trajetória das vítimas, trazendo suas motivações e histórias de vida. A atuação do elenco também é excepcional, nos envolvendo profundamente no enredo. Além disso, os diretores e roteiristas conseguiram retratar os fatos de forma fiel à realidade, apresentando inclusive o passado do assassino, sua família e os preconceitos sofridos.


Enfim, a agonia de presenciar a execução dos crimes misturado com a empolgação de torcer para que as autoridades o prendam, deixam os espectadores vidrados do início ao fim. Tanto que, mesmo que os episódios durem entre cinquenta minutos a uma hora, é impossível parar de assistir. Portanto, mais uma produção original da Netflix que compensou o investimento.

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Jornalista, 23 anos

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